Federico Fellini
Um homem elegante de gravata e
óculos escuros persol, passeia no que parece ser um jardim. O sol escaldante
não muda a graciosidade dele. Ao seu lado, um grupo de palhaços faz algazarra
com o pessoal que passa por ali. O caminhar do homem é reto, ritmado e
totalmente alheio a sua volta. Francesco! Ouve ao longe numa voz feminina. O
homem para. A câmera por trás dele, subitamente, acelera em sua direção, no
exato momento em que ele vira para trás.
Essa simples cena, se filmada
por Fellini, viraria um ícone do cinema mundial.
Federico Fellini nasceu em
Rimini, na região de Emilia-Romagna, Itália, em 20 de janeiro de 1920. Aos 20
anos, mudou-se para Roma e foi trabalhar como cartunista em alguns jornais da
cidade. Em 1944, com 24 anos, abre a loja Funny Face Shop, onde faz caricaturas
dos moradores e turistas, principalmente soldados norte-americanos. Rostos de
traços fortes e cercados de figuras grotescas. Cria-se assim uma das expressões
mais famosas da história da 7ª arte: "Fellinianos" ou
"Felliniescos". Graças a essa habilidade, o cineasta ficou amigo do
comediante Aldo Fabrizi, que chamara a atenção de Roberto Rossellini para
participar de Roma, Cidade Aberta (1945), através de Fellini, Rossellini
convidou Aldo e ganhou um novo roteirista para seu filme.
Em sua nova atividade, Fellini
começa a se interessar pela direção, várias vezes visitava sets de filmagens
das películas que roteirizava, cinco anos depois codirigiu Mulheres e Luzes
(1950). Mas foi o amigo Michelangelo Antonioni quem deu a primeira oportunidade
para Federico. Antonioni desenvolveu e criou a história de Abismo de um Sonho
(1952) e deu ao produtor Carlo Ponti, que chamou Fellini para roteirizar.
Michelangelo, porém, saiu da produção e Ponti deu ao novato a direção do filme.
No inicio dos anos 1960, Fellini descobre os
estudos do psicanalista Carl Gustav Jung, e logo se familiariza com suas ideias
sobre significados dos sonhos e o inconsciente coletivo. Federico passa a criar
um método: ao acordar, senta numa mesa e desenha seus sonhos. Assim nasceram
grandes clássicos do cinema que serão revisitados nessa retrospectiva que o
Museu do Cinema fará a partir de hoje, dia que Federico Fellini completaria 100
anos. O cineasta passa assim a fulgurar na Sala Vip do Museu.
Farão parte dessa revisita a obra de Fellini os filmes: A Doce Vida (1960), 8½ (1963), Roma de Fellini (1972), Amarcord (1973), E La Nave Va (1983), Ginger e Fred (1986).
Farão parte dessa revisita a obra de Fellini os filmes: A Doce Vida (1960), 8½ (1963), Roma de Fellini (1972), Amarcord (1973), E La Nave Va (1983), Ginger e Fred (1986).
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